Manaus assenta sobre a Formação Alter do Chão, com arenitos e argilitos que desafiam qualquer cronograma de obra quando a água subterrânea aparece. A cidade, com seus mais de 2 milhões de habitantes e situada a apenas 92 metros acima do nível do mar, convive com lençol freático elevado e solos de permeabilidade muito variável. Já encontramos aquíferos confinados a menos de 6 metros de profundidade no bairro do Distrito Industrial, e isso muda completamente a estratégia de rebaixamento. O ensaio de permeabilidade Lefranc/Lugeon entrega o coeficiente k in situ sem as distorções das amostras remoldadas de laboratório. Para obra que exige previsibilidade, seja uma escavação profunda ou uma fundação em margem de igarapé, é o dado que separa o projeto viável do imprevisto caro. Antes de mobilizar equipe, convém avaliar a estratigrafia com sondagens SPT e definir os trechos onde o ensaio de carga hidráulica realmente se justifica.
O valor de Lugeon não é um número fixo: é a resposta do maciço à pressão. Interpretar a curva de fluxo evita subestimar fraturas que se abrem com a carga hidráulica.
Metodologia e escopo
Considerações locais
A Formação Alter do Chão em Manaus alterna arenitos friáveis e argilitos impermeáveis em lentes descontínuas. Um furo que encontra arenito limpo a 8 metros pode atravessar um selo argiloso a 12 metros e atingir um aquífero confinado com pressão artesiana. Sem o ensaio de permeabilidade in situ, o rebaixamento subdimensionado enfrenta surgência de fundo de escavação e erosão interna progressiva. Em margens de igarapés, a situação é ainda mais crítica: a variação sazonal do rio Negro, que em 2024 ultrapassou 27 metros na régua do porto, inverte o gradiente hidráulico em questão de dias. O ensaio Lugeon executado em vários estágios detecta zonas de fratura que o Lefranc não alcança, e o dado alimenta modelos de fluxo que preveem a vazão de infiltração na pior combinação de nível d'água.
Normas aplicáveis
ABNT NBR 14545:2021 – Determinação do coeficiente de permeabilidade em solos (Lefranc), ISRM Suggested Method for Lugeon Test (1988), ABNT NBR 6484:2020 – Sondagens de simples reconhecimento (apoio ao ensaio), Eurocode 7 (EN 1997-1:2004) – Investigação geotécnica em maciços rochosos
Serviços técnicos associados
Ensaio Lefranc em solo
Medição de k em trecho isolado de sondagem, com carga constante ou variável. Ideal para definir parâmetros de rebaixamento e drenagem em solos saturados da região de Manaus.
Ensaio Lugeon em rocha
Ensaio de injeção de água em maciço rochoso com cinco estágios de pressão. Captura abertura, fechamento e colmatação de fraturas em arenitos da Formação Alter do Chão.
Perfil hidrogeológico integrado
Combinação de SPT, CPT e ensaios de permeabilidade para gerar modelo 3D do fluxo subterrâneo, essencial em obras de contenção e escavações profundas.
Monitoramento de nível d'água
Instalação de piezômetros Casagrande e multinível para acompanhar a resposta do aquífero à variação sazonal do rio Negro e às atividades de obra.
Parâmetros típicos
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o ensaio Lefranc e o Lugeon?
O Lefranc mede permeabilidade em solos, com carga constante ou variável em trecho isolado do furo. O Lugeon aplica injeção de água sob pressão em maciço rochoso fraturado, registrando a curva pressão-vazão para interpretar o comportamento das fraturas.
Quanto custa um ensaio de permeabilidade in situ em Manaus?
O ensaio Lefranc ou Lugeon em Manaus parte de $100.000 por ponto, incluindo mobilização, execução e relatório técnico. O valor final depende da profundidade, número de trechos ensaiados e acessibilidade do furo.
Em que fase da obra devo solicitar o ensaio de permeabilidade?
O ideal é executá-lo durante a campanha de sondagens de projeto, logo após a identificação do nível d'água. Em Manaus, recomendamos agendar na estiagem (agosto a novembro) para garantir o contraste hidráulico nos estágios do Lugeon.
O ensaio Lugeon é obrigatório para barragens na região de Manaus?
Sim, a ABNT NBR 14545 e as diretrizes do ISRM exigem ensaios Lugeon em maciços rochosos de fundação de barragens. Na Formação Alter do Chão, o ensaio é crítico para dimensionar cortinas de injeção e prever perdas d'água pelo embasamento.
