Em Manaus, a complexidade do subsolo exige métodos de investigação que vão além da sondagem tradicional. A norma ABNT NBR 15935:2011 para ensaios sísmicos estabelece os parâmetros que seguimos nas campanhas de tomografia sísmica de refração e reflexão, especialmente relevante quando lidamos com a intercalação de arenitos, siltitos e argilitos da Formação Alter do Chão. Diferentemente dos ensaios SPT, que fornecem dados pontuais, a tomografia sísmica constrói um perfil contínuo de velocidades de ondas P e S ao longo de centenas de metros, permitindo identificar camadas de baixa competência, topo rochoso irregular e até paleocanais preenchidos com material inconsolidado. Para projetos de grande porte na capital amazonense, como torres comerciais na zona sul ou obras de infraestrutura viária que exigem escavações em solo mole, complementamos a investigação com o ensaio CPT quando a estratigrafia é muito variável lateralmente, e utilizamos o MASW para derivar perfis de Vs30 com excelente resolução em baixas profundidades.
O contraste de impedância acústica entre os arenitos da Formação Alter do Chão e os solos lateríticos sobrejacentes gera refletores sísmicos nítidos que mapeamos com precisão métrica.
Como trabalhamos
Particularidades da região
O risco geotécnico mais subestimado em Manaus não está na falta de resistência do solo superficial, mas na descontinuidade abrupta do substrato rochoso. A Formação Alter do Chão foi submetida a intensa dissecação fluvial durante o Quaternário, gerando paleovales preenchidos por sedimentos inconsolidados e matéria orgânica que hoje estão ocultos sob a malha urbana. Uma sondagem SPT isolada pode encontrar rocha sã a 12 metros de profundidade, enquanto outra locada a 30 metros de distância atravessa 40 metros de solo mole sem nunca atingir o impenetrável. A tomografia sísmica de refração expõe essas armadilhas geológicas em seção contínua, revelando a verdadeira topografia do embasamento. Ignorar essa variabilidade lateral durante a campanha de investigação leva a recalques diferenciais severos em edifícios e a colapsos localizados durante a cravação de estacas. Em zonas próximas aos igarapés urbanos, onde o nível d'água está praticamente na superfície, a saturação reduz a velocidade das ondas S e mascara contrastes; por isso, integramos a sísmica com dados de permeabilidade in situ para calibrar o modelo geofísico com as condições hidrogeológicas reais do terreno manauara.
Normas de referência
Para a classificação sísmica, adota-se o Eurocode 8 (EN 1998-1:2004) e seus parâmetros Vs30, bem como as normas ABNT NBR 15935:2011 (ensaios sísmicos por refração e reflexão), ASTM D5777-18 (Standard Guide for Using the Seismic Refraction Method) e ASTM D7128-18 (Standard Guide for Using the Seismic Reflection Method).
